quarta-feira, 25 de novembro de 2015



Sorte do Dia

sexta-feira, 28 de junho de 2013














Acreditei que se amasse de novo
esqueceria outros
pelo menos três ou quatro rostos que amei...
organizei a memória em alfabetos
como quem conta carneiros e amansa
no entanto flanco aberto não esqueço
e amo em ti os outros rostos



a certeza de que muros são para serem derrubados
já que são agressões ao espaço
atravessar muros tipo Antônio Manuel
impressiona o tamanho das barreiras que temos de derrubar para acessar potes de ouro
muros de preconceito, de moralismo midiático 
moralismo católico
graças ao tempo encontrei meus potes
refíro me à Umbanda, ao RAP do Facçao, a EXU
refiro 
mil
ao ouro arte

domingo, 4 de novembro de 2012








ambição: de estar em alta velocidade; em condições climáticas desfavoráveis; com companhias desagradáveis; mensagens e chamadas no telefone desnecessárias; câmera em movimento; sem o cinto de segurança - pois ele sufoca; sem o flash, sem o sol, sem o alento do amor. ambição de ser contra muito, até pessoas. vE lO C iDADE   




estrela do norte para a orientação geográfica ficar mais fácil. BUSCA DO NORTE. Um sujeito do sul em busca no norte.

domingo, 17 de julho de 2011

vila rica de possibilidades

o relógio da vida respira num percurso que só o chão faz doer
e quando desníveis de pedras que mostram o maço daquilo que não tenho
encontro o que não esperava
abandonado
fico sempre assim
agachado



sábado, 7 de maio de 2011

possui 11 letras
possui as vogais: a i o u
possui as consoantes: g l r t v
litogravura escita ao contrário: aruvargotil
separação de sílabas: li - to - gra - vu - ra
plural de litogravura:

litogravuras

quarta-feira, 27 de abril de 2011

se eu pudesse achar uma foice
faria o serviço pessoalmente

sábado, 12 de junho de 2010

Bananas

As bananas dentro do cesto de bronze enferrujado zombam de mim. O amarelo constante delas insistem em ter a mesma paciência das putas que esperam os faróis alumiarem sua xota.
Quando escutam o barulho da porta de vidro da cozinha abrindo, as bananas estufam o peito e tiram a calcinhas do rego para me impressionar. Sempre conseguem.
Eu as vejo todos os dias no mesmo lugar. Em cima da mesa da área de serviços. Porém, nem todos os dias as observo porque sou ridículo.
Eu sou um homem ridículo. E sei disso, talvez, desde que nasci. E a medida que crescia esse fato se evidenciava pra mim em cada livro que lia, em cada escola que estudava, em cada riso construído que esboço em meu rosto oleoso, em cada boceta que comia.
Por isso odeio o sarcasmo das bananas. Tenho inveja delas. O amarelo maduro que portam só é interrompido quando estão pra morrer. Ai apodrecem, amolecem e ficam negras, e morrem. Zombando de mim.
A noite, normalmente, é que as observo com cuidado pois é a noite que penso no dia que tive e na rotina solitária que tenho nos dias. Me sinto, olhando-as nos cachos, todas juntas, mais sozinho que o sozinho de antes de dormir que sinto no meu quarto escuro.
Ser sozinho é ruim. Sei que estou sozinho até quando estou cercado de indivíduos que considero amigos. E como fico triste em ser sozinho! É triste pois conheço a verdade e ninguém mais a conhece. Ah, como é duro conhecer a verdade sozinho. Mas isso os indivíduos amigos não vão entender. Não, não vão entender jamais. Só as bananas entendem. MAs entendem mudas e zombam com pena da minha sapiência desgraçada.
Por isso as como. Mastigo cada pedaço de potássio delas só para matá-las e assim não mais zombarem de mim. Essas putas amarelas! Só são bem vindas quando dentro de mim; compondo minha estrutura física de homem ridículo.
De tudo que cultivei
só voçê não vingou
por isso hoje
minha cama é uma catapulta
sempre me arremessando
em mundos desconhecidos.

Meus pensamentos
quando não voam
pela tampa do crânio
escorrem em líquido
pelo pênis
numa masturbaçlão compulsória.

domingo, 18 de abril de 2010





vandalismo
une
e transpõe
horas silenciosas

Puta

A válvula da panela continuava girando enquanto as facas de serra secavam no escorredor da pia da cozinha. Ele num silêncio suado observava a procissão paciente de saúvas desenharem formas pelos rejuntes amarelados das paredes azulejadas. Vapores mornos inundavam a atmosfera da cozinha fria com deliciosos cheiros de comida quase pronta. O lodo que se acumulava embaixo da torneira se confundia com o mofo que crescia no coração dele. Quanta mentira naquele silêncio oleoso que corria qual multidão em sua cabeça. Durante o período em que ele olhava para as formigas, o motor da geladeira velha ligava e desligava em intervalos iguais de tempo, roncando um constante barulho que se misturava com o som da válvula da panela que continuava girando. O cheiro de comida quase pronta se fundia com o cheiro da maceração que seus poros exalavam a cada segundo. Ele estava tão podre quanto o mamão que murchava esquecido embaixo do pano de prato seboso. Toda cozinha era expectadora da mescla entre morno e insossidão que sua débil existência formatara: A sacolinha de plástico lotada de restos na lixeira; as gavetas bambas e sem esquadro no armário; o lustre sujo que acumulava cadáveres de moscas e pequenos insetos no teto; as migalhas de comida que ornavam o assoalho do fogão. Tudo ali era mais significativo e concreto que acordar todas as manhãs e ver os dias serem fumados. Mas ele não pensava nisso agora. Ah, não! Sua cabeça de cabelos e pensamentos crespos agora era um grande buraco de silêncio branco. Ele conseguira! Por alguns minutos ele foi premiado com a grandeza da distração. O todo de cheiros, barulhos e cores da cozinha criaram, com as saúvas escalando os azulejos, um estado tão único de contemplação que ele se esqueceu, mesmo que por segundos, da ridícula condição de humano em que se encontrara. O buraco de silêncio branco era a consumação do clímax de seus anseios. A puta da felicidade chegara sem avisar, lambera o rosto do desgraçado, e antes que ele visse seu rosto rugoso, voltou para o lugar miserável de onde viera, deixando-o lá. Agachado. Em meio a sebo e lodo de cozinha. Em meio à vida. A luz que entrava amarela pelo basculante exibia sem pudor a válvula da panela que continuava girando.

Ode à Custella

Custella não é aquele pedacinho de carne gostoso q fica perto do filé.
Ela é aquela carne saborozíssima e dura q não desgruda do osso da vaca.
É aquele pedacinho de boi que fica grudado no dente durante horas e vc fica chupando, chupando até q, já de noite, ele sai e vc fica com uma profunda e melancólica nostalgia.
É o pedaço mais disputado da feifoada, e somente os mais vorazes e espertos conseguem garfá-la!
Ah, Custella!!
Vc tempera meu almoço e alegra o dia do meu cãozinho, q fica a lamber-te por dias.
Eu adoro essa Custella. Mentira, eu amo essa Custella!!
Ixee, já amei das mais diversas formas e maneiras possíveis. Mas, sempre amei !!
Até tentei, inutilmente, me livrar desse vicio e me tornar vegetariano. Resultado: 6 mízeros quilos a menos!
Decerto, após uma mordidinha vc se tornará mais espiritualizado.
Vc já viu Custella caridosa?
Oh, santos!
Oh!
Salve a Custella nossa de cada dia!
Viva
Viva
Viva a Custella !

terça-feira, 7 de abril de 2009

Depois do vômito
Da fumaça
Do dedo cheirando a alcatrão
Me sinto até bem
Para um pedaço de
Carbono
.



Li algo do tipo num Blog de alguém que não segurei o nome. Passaram-se dias, assim como passei a guia no navegador, e isso de carbono estava persistindo. Dai a releitura da coisa do cara que não sei. Gosto do carbono da fumaça, do vômito e o da minha mão. Além de ser uma palavra redonda, inclusive sonoramente.
" Não jogai lavagens aos humanos "

domingo, 15 de março de 2009

Látex
Amorzinho


quarta-feira, 11 de março de 2009

Ode ao estirpe

No
Nó
Entrenó
Nó
Entrenó
Nó, entrenó
Entrenó, nó
Nó, entrenó, nó
Entrenó, nó, entrenó
Nó, entrenó, nó, entrenó
Entrenó, nó, entrenó, nó
Nó, entrenó, nó entrenó, nó
Raiz

Nenhum nó é constante
Nem um grande entrenó é incessante

Metrópole

Miaus crônicos e renhidos estalam em silencio no meu ossículo bifurcado.
Cinderelas de mini-saia, escondendo mandiocas por entre o cinto, saltam no anterior de luzes policromáticas à sacudir duas bandas dum filé, ora branco, ora escarlate, ora negro.
Trabalhadores dourados de estrume aspiram à rodelas argentum-auricas titilantes em carapaças felpudas, salientes e asquerosas, que se encaixam em cabeças jogadas ao leu de pulgas e piolhos cheios de cor.
Comerciantes noturnos anunciam bombas de farinha rosa; Doses do turquesa ácido sulfúrico.
Dicionários metalizados e codificados eriçam-se, mas logo se aquecem com urinas quentinhas de um indigente barbudo.
Milhares de procissões ascendem velas em meu crânio onde gritos sorrateiros, ora de sopranos, ora de chavales, buzinam sons iridescentes.
Enquanto isso, só agora, eu, acromificado, bebo alegremente, na metrópole, uma sóbria embriaguez perdida e isolada no urbanizado sítio conurbado da perfídia humana.

domingo, 8 de março de 2009

As palavras voltam e ficam, é a matéria. Entra outro e outro e deste modo precisa de espaço ________________. As imagens ficam na tua cabeça; tenta entrar nela pra ver .. é uma provocação.
Não seja pacifico; não critique; não seja magro; não exista; Conformismo a flor da pele. Siga o fantasma caduco da ditadura ou o ideário de barbudos estrelados; vá a igreja e ganhe dinheiro; compre um carro, e - assim como seu pai - espere e morra.